escrita

e outras coisas

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e outras coisas

Um dia decidi ter a coragem de o fazer, de escrever e de me dizer escritora. Não tenho curso ou diploma que o oficialize, e só um livro publicado. Que arrogância! Não é só ao terceiro? Ou é ao quinto? Escritora para quê? Quem lê? Quem compra livros? Levante a mão quem me entende: escritora porque há coisas que se sentem mais do que os anos de um diploma. Este blog chama-se simplesmente Escrita, que é em suma, e em geral, do que se trata. E já agora outras coisas, porque a vida, com certeza, bisbilhoteia por aqui também. E ainda bem. E nem sempre é para ser levada a sério.

Os livros também crescem

Achei que escrever um livro era tarefa que começava e acabava no recolhimento solitário da minha mente, no bater surdo dos meus dedos nas teclas

Desculpas encharcadas

A culpa é do sol. E do Algarve ser lento na mudança de estações. E das reuniões familiares e dos abraços, das imperiais e dos tremoços.

Feira do Livro de Lisboa

Na Feira do Livro percebi, mais uma vez, que eu posso ter escrito o País do Silêncio, mas que não sou quem melhor o diz.

Em Portugal

Para quem puder ou quiser passar a dizer olá, vou estar na Festa do Avante este Domingo, às duas da tarde, no Auditório da Festa do Livro, e na Feira do Livro de Lisboa na Sexta-feira dia 10, às 19.50, no Auditório Nascente.

Distopia

Na Malásia, não se abraça há ano e meio. Fecharam-nos as fronteiras, os passeios, as reuniões. We can’t keep on living like this. E, tal como fazemos quando não conseguimos viver mais assim, vivemos. 

Instantâneo

Como desejo que, no dia em que me vireis costas e a minha autoridade murche, nesses dias em que as minhas imposições já não sejam e o vosso dia não me pertença, esta primeira paixão, desgarrada, que vos agarra pelos olhos e vos faz andar cegos, nunca se consuma. 

A insuportável poeira dos corpos

Diz que quando somos chamados a agir, agimos, mas creio agora que não é verdade, que é uma ilusão apenas, um dito filtrado de exemplos, estripado de história. A realidade contada às crianças que somos, sedentas de um final feliz antes da hora de adormecer.

Confissões de uma estreante

Na quarta década de vida, no porto de onde até há pouco já só se embarcava em direcção ao sol posto, venho eu madrugar.

O mundo do meu parque

Vejo o mundo pequenino, neste ramo da árvore, penso como é fácil deixá-lo amadurecer e apodrecer, aqui sentada, em inócua inércia.

Rita Cruz

Rita Cruz

Sobre mim

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Crónicas
Rita Cruz

Um pequeno detalhe de hormonas

Esta recordação não é de Talibãs, e só em parte é do Afeganistão. Não é sobre invasões nem cruzadas, nem sobre a urgência de falar e reflectir sobre elas. É a crónica de um momento. É sobre um cromossoma e um detalhe de hormonas.

Contos
Rita Cruz

Salvador

Salvador sempre foi pequenino. Quando nasceu, era pouco maior que as ratazanas cujas sombras espreitam nas traseiras das barracas dos hawkers.

Crónicas
Rita Cruz

As vidas que por mim passam

Durante uma semana, antes do dia da partida, ela fazia as malas e o menino desfazia. Espalhava as roupas pela casa. Escondia-lhe o passaporte.

Contos
Rita Cruz

Invisível

Estamos no início de uma tarde de Sábado. Sei o exacto dia da semana, porque o senhor Ribaldo só vem almoçar nesse dia, e trás o Américo com ele. Ouvimos ao longe o estrondo das gargalhadas. O senhor Ribaldo vive nesta terra desde que é gente e aprendeu a rir-se como o céu, quando ele ruge.