escrita

e outras coisas

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e outras coisas

Um dia decidi ter a coragem de o fazer, de escrever e de me dizer escritora. Não tenho curso ou diploma que o oficialize, e só um livro publicado. Que arrogância! Não é só ao terceiro? Ou é ao quinto? Escritora para quê? Quem lê? Quem compra livros? Levante a mão quem me entende: escritora porque há coisas que se sentem mais do que os anos de um diploma. Este blog chama-se simplesmente Escrita, que é em suma, e em geral, do que se trata. E já agora outras coisas, porque a vida, com certeza, bisbilhoteia por aqui também. E ainda bem. E nem sempre é para ser levada a sério.

Delírios temporais de um cu

Angústia que não cheguem lá nunca e se esqueçam de tudo. Porque é fácil esquecer tudo. Menos o que carregamos conosco. E que, pese intenso à nossa medida, pode não ser suficiente para nos salvarmos.

Atenção: sessão cancelada

Era para ser presencial, depois já só era presencial a metade — o Pedro Estorninho e o José António Gomes ao vivo e eu por

Fim de uma obra

Descanso, agora que está impressa. Posso finalmente começar a arrancá-la de mim. Pouco a pouco. Posso sentar-me ao sol, numa tarde de Domingo, e ler outras palavras que não as minhas.

2ª Edição

Está de parabéns, o No País do Silêncio. É dono de uma cinta vermelha, que lhe vem mesmo a calhar vestir para o Natal.

Instantâneo 2

Coimbra. Sala pequenina. Gente que vem porque o amigo diz. Estamos na franja do mundo. Da azáfama, das elites, do burburinho. Estamos à margem.

Os livros também crescem

Achei que escrever um livro era tarefa que começava e acabava no recolhimento solitário da minha mente, no bater surdo dos meus dedos nas teclas

Desculpas encharcadas

A culpa é do sol. E do Algarve ser lento na mudança de estações. E das reuniões familiares e dos abraços, das imperiais e dos tremoços.

Feira do Livro de Lisboa

Na Feira do Livro percebi, mais uma vez, que eu posso ter escrito o País do Silêncio, mas que não sou quem melhor o diz.

Rita Cruz

Rita Cruz

Sobre mim

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Crónicas
Rita Cruz

Um pequeno detalhe de hormonas

Esta recordação não é de Talibãs, e só em parte é do Afeganistão. Não é sobre invasões nem cruzadas, nem sobre a urgência de falar e reflectir sobre elas. É a crónica de um momento. É sobre um cromossoma e um detalhe de hormonas.

Contos
Rita Cruz

Salvador

Salvador sempre foi pequenino. Quando nasceu, era pouco maior que as ratazanas cujas sombras espreitam nas traseiras das barracas dos hawkers.

Contos
Rita Cruz

Invisível

Estamos no início de uma tarde de Sábado. Sei o exacto dia da semana, porque o senhor Ribaldo só vem almoçar nesse dia, e trás o Américo com ele. Ouvimos ao longe o estrondo das gargalhadas. O senhor Ribaldo vive nesta terra desde que é gente e aprendeu a rir-se como o céu, quando ele ruge.

Crónicas
Rita Cruz

regresso

Penso na casa que é a mesma e já não é, porque nada permanece igual na agitação do tempo, mesmo o que parece que é imóvel e não tem vontade própria.

Crónicas
Rita Cruz

As vidas que por mim passam

Durante uma semana, antes do dia da partida, ela fazia as malas e o menino desfazia. Espalhava as roupas pela casa. Escondia-lhe o passaporte.