Caminhos perdidos

Eis-me na encruzilhada de um momento. Já estive muitas vezes aqui. Reconheço-o, o momento, e reconheço também alguns dos caminhos que daqui saem. Outros, são novos. E muitos outros desapareceram. É isso que noto logo: que são menos. E que de todos eles, menos ainda são aqueles que posso escolher. Não viajo sozinha, como viajei em tempos. No caminho que escolher, temos agora de caber vários. Não pode ser montanhoso porque há quem se canse depressa. Não pode ser descoberto porque há quem se queime ao sol. Não pode ser rugoso, porque há quem viaje de chinelos. Curioso. Já é assim há bastante tempo, mas só hoje fico a pensar.

Sento-me à beira desse momento, porque sentada penso melhor. E em vez de avançar, fico assim, a olhar caminhos que não posso seguir. Aqueles que nunca saberei. E assalta-me aquela tristeza peganhenta feita de saudade absurda do que nunca foi, e de pena abstracta do que nunca será. Não gosto dela, mas chega-se a mim como se eu fosse mel e ela as formigas no parque onde que me sento. Estou parada e sou alvo fácil.

Sacudo-a. E sacudo-as a elas, também.

Mas são persistentes, ambas. E penso, por momentos breves, se cada vez mais vai ser assim. Se em vez de olhar maravilhada para a promessa de todos os caminhos, vou ficar parada, peganhenta e a sacudir formigas. Sem ir para lado nenhum.

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